São mais de 6 300 investidores no Brasil atuando hoje na busca por uma alternativa às aplicações de mercado e que se tornaram anjos, financiadores de pequenas empresas de base tecnológica nascentes. Há pouco mais de três anos era preciso pelo menos R$ 500 mil para poder investir como anjo. Esse tíquete médio de entrada caiu sensivelmente, o que possibilita a entrada de mais gente. E as pessoas estão chegando. Engenheiros, advogados, administradores, publicitários e até empreendedores resolveram apostar nessa história, mas sem abandonar sua profissão. O cenário incerto da bolsa, que apresentou crescimento de 1% em 2010, queda de 18% em 2011 e rentabilizou só 7% no ano passado, contribui para isso. Na impossibilidade de ganhar grana com a compra e venda de ações, a saída é buscar alternativas — com alto risco também, é certo — para ganhar dinheiro. Há uma boa diferença entre o investidor-anjo e o investidor tradicional, conforme explica Cassio Spina, fundador da ONG Anjos do Brasil, em seu livro Investidor-Anjo (Editora nVersos). O anjo é uma pessoa física que coloca parte de sua reserva em uma nova empresa. Ele aplica e acompanha o desempenho do empreendedor. Pode ser mais ativo (participar de reuniões, prestar consultoria, acompanhar o balanço) ou passivo (apenas se informar por e-mail). Já o investidor tradicional, aquele que compra um título de banco, por exemplo, tem uma relação mais capitalista e distanciada da aplicação. Em geral, esse investidor atenta só para o resultado financeiro. Ele tem uma ideia de como a carteira é composta, mas normalmente desconhece o nome do gestor do fundo. Nos últimos anos, cresce mais expressivamente o volume de dinheiro aplicado por essas pessoas no país. Segundo levantamento da Anjos do Brasil, profissionais liberais, executivos e alguns pequenos fundos injetaram 495 milhões de reais em empresas de pequeno porte no ano passado. Isso representou um crescimento de 10% sobre 2011. Nos Estados Unidos, berço desse tipo de investimento, os números são bem mais gordos. De acordo com dados da Angel Capital Association, 225 mil investidores-anjo investem cerca de US$ 20 bilhões por ano. A verba é destinada a 55 mil negócios que estão abrindo as portas ou em estágio inicial de operação. (Com informações da Você S/A)