O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, destacou no dia 5 de dezembro a necessidade de um marco legal que favoreça a cooperação entre os setores público e privado. Ele participou de mesa-redonda com o objetivo de realizar um balanço da política industrial e tecnológica brasileira no 7° Encontro Nacional da Indústria (Enai), em Brasília. “No Brasil, a maioria das instituições que produzem conhecimento são públicas, enquanto a maioria das que transformam esse conhecimento em bens com valor econômico são privadas”, disse, diante de pergunta sobre os principais gargalos para o aumento da competitividade. “O marco legal para estabelecer essa parceria não está plenamente estabelecido. Temos preconceitos culturais, do ponto de vista legal, em trabalhar bem essa parceria.” O titular do MCTI já tinha dado ênfase a essa interação em suas falas anteriores no debate. Indagado sobre como promover tal aproximação, ele disse que as vontades das empresas e dos governos têm de convergir. “Estamos em um belo momento para deslanchar [em competitividade]”, avaliou. “Não estamos à zero, e sim a meio caminho. Essa aproximação é um elemento importante para isso.” Raupp acrescentou que muitas empresas já usam a colaboração com institutos de pesquisa, dispondo da infraestrutura existente, como estratégia básica para incorporar tecnologia. Para o ministro, o aumento progressivo que vem sendo realizado no leque de modalidades de financiamento permitirá um investimento privado maior em pesquisa e desenvolvimento (P&D), identificado por ele como uma mudança necessária. Também na avaliação do presidente em exercício da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), João De Negri, a cooperação tem avançado, embora mais devagar do que o desejável. “Das cerca de 750 empresas que têm laboratórios, 504 estão de certa forma integradas à Finep e ao CNPq[Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico]”, disse. De Negri também destacou que 2,3 mil a 2,4 mil empresas brasileiras exercem P&D continuamente e que há uma variação grande no nível de dinamismo das diferentes áreas industriais. “Isso é característico de países em estágio intermediário de desenvolvimento”, analisou. Ele defendeu que o Brasil siga o exemplo da China, que em 2006 definiu 100 tecnologias críticas que deveria dominar em médio prazo. “Os setores público e privado precisam definir o que é o futuro do País”, propôs. “Política tecnológica é necessariamente um exercício de escolha.” Recursos humanos – A qualificação de recursos humanos foi outro ponto central da discussão. O secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Alessandro Teixeira, elegeu esse como o gargalo número um para o aumento da competitividade. João De Negri também colocou a questão entre as três mais importantes. Raupp ressaltou o impacto do investimento educacional sobre a dimensão do conhecimento de modo geral. “Temos um déficit a superar. Não existe ciência e tecnologia sem educação”, disse. Ele citou engenheiros, tecnólogos e técnicos de nível médio como formações demandadas pelo momento do País. Lembrou o programa Ciência sem Fronteiras, da parte do governo, e a reestruturação do Senai, da parte do empresariado, como medidas nessa frente. Educação aparece pela primeira vez em levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) como o principal fator para a competitividade do país. A entidade, organizadora do encontro, apresentou as linhas gerais do Mapa Estratégico da Indústria 2013-2022, em elaboração. Cenários – Sobre o Movimento Industrial pela Inovação (MEI), Alessandro Teixeira, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), disse que o governo não se sente pressionado diante da articulação. “Pelo contrário, essa iniciativa caminha em consonância com políticas que vêm sendo desenvolvidas.” O ministro Raupp se declarou otimista quanto ao horizonte de desenvolvimento. “Não estamos longe de uma situação em que teremos empresas muito competitivas”. (Com informações do MCTI)