Unir esforços pode ser a receita para que países da América Latina dêem um salto em inovação. A criação de parques tecnológicos, consórcios entre empresas e de redes de pesquisa são estratégias que têm dado certo no Brasil, na Argentina e no Uruguai, embora ainda pontuais. “Conseguimos a partir de consórcios e parcerias público-privadas avançar em estudos biotecnológicos e hoje estamos testando uma vacina terapêutica para câncer de pulmão”, contou no dia 7 de dezembro, no 1º Fórum Empresarial do Mercosul, no Hotel Royal Tulip, em Brasília, a diretora de inovação e desenvolvimento tecnológico do grupo INSUD da Argentina, Graciela Ciccia. O projeto envolve os três países e mais de 100 pesquisadores, além de um grupo de empresas. Os países do Mercosul, explica Ciccia, enfrentam um gargalo comum em inovação: o de conseguir transformar o conhecimento gerado em negócios. Embora registrem avanços importantes na produção científica, isso não se traduz em produtos para comercialização. O Brasil, por exemplo, ocupa a 13ª posição em publicações indexadas, 2% do total no mundo, e forma, por ano, cerca de 40 mil mestres e 20 mil doutores. Apesar disso, segundo o coordenador de Serviços Tecnológicos do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, Jorge Mário Campagnolo, o país não ocupa posição privilegiada em inovação. A discussão  sobre inovação no Fórum Empresarial do Mercosul contou ainda com a presença do presidente da Agência Nacional de Investigação e Inovação do Uruguai, Rodolfo Silveira; do presidente da Stefanini Solutions do Brasil, Marco Stefanini; e do gerente da Unidade de Inovação do Sebrae, Ênnio Duarte. Segundo Stefanini, os parques tecnológicos de Córdoba, na Argentina, e de Montevidéu, no Uruguai, são exemplos bem sucedidos para rápidos avanços no desenvolvimento de tecnologias. Na sua avaliação, o Brasil precisa ousar mais nessa área, com base nos exemplos dos parques de Porto Alegre e Recife. Empresário há 25 anos na área de tecnologia de informação, Stefanini preocupa-se com o desempenho do Brasil, que vem perdendo espaço nesse mercado. “Assim como a Índia, depois de uma política de governo de mais de 30 anos, tornou-se líder incontestável na oferta e exportação de serviços de TI, o Brasil precisa investir em um segmento viável”, argumentou. Ele vê como uma grande oportunidade a venda de serviços tecnológicos de maior valor agregado e os investimentos em biotecnologia. Embora a integração entre empresas, parcerias público-privadas, aproximação com universidades sejam estratégias que têm alcançado bons resultados, é preciso resolver problemas estruturais, alerta Silveira. “A América Latina conta com muitas universidades, mas poucas delas, eu diria uma ou duas, estão entre as 200 melhores do mundo. Não há transformação do conhecimento sem educação de qualidade”, argumentou. (Com informações da CNI)