21/11/2017

Adentramos em uma nova era impulsionada pelo paradigma digital. A inovação deixa de ser um atributo a mais das empresas para, enfim, ser uma premissa transversal no sistema, capaz de estar presente em todas as fases de desenvolvimento dos processos. O modo de pensar, de agir, de produzir: está tudo em constante transformação — e nós precisamos estar prontos para acompanhar essa maré.

Eu trabalho com estratégias em inovação. Leciono uma disciplina de estratégia empresarial com forte viés em gestão de inovação e, recentemente, desenvolvi uma pesquisa aplicada de empreendedorismo em inovação. Posso afirmar: a área de inovação sofre de uma defasagem muito grande de pessoas estudando a aplicação propriamente dita. Nosso papel como acadêmicos de inovação é, portanto, mais do que gerar e disseminar conhecimento: é sustentar, de maneira expansiva, o estabelecimento dessa realidade, corroborar a sua seara de maneira teórica e prática e educar as próximas gerações, a fim de mostrar a nova perspectiva de pensamento que ela promove.

Inovação no ensino: uma nova maneira de pensar

A inserção de inovação no ensino é feita de diferentes formas, com a implementação de métodos inovadores. Usando o design thinking nas aulas de graduação, por exemplo, construímos o raciocínio de forma multidisciplinar, desenvolvendo o trabalho colaborativo e a aquisição do conhecimento de uma forma por si só disruptiva.

No mestrado, as pesquisas são mais profundas e avançadas. Temos iniciativas que comparam o desempenho de empresas à luz da inovação. Outras são voltadas para estudar o perfil do empreendedor de pequenos e médios negócios. Ainda, há trabalhos sobre o formato de fomento de start-ups, o que nos dá uma visão abrangente da atual conjuntura do mercado — um dos mais impactados nessa revolução sem precedentes.

Transformação digital e a Indústria 4.0

Mas por que é importante entender essa nova forma de construir o pensamento?

Lembra daquela história do colégio sobre as Revoluções Industriais? Então você lembra, com certeza, como a produtividade mudou completamente a história. Seja social, cultural, política ou economicamente, tais mudanças foram estruturais e alteraram os rumos da nossa evolução — e uma enorme parcela da responsabilidade sobre isso pairou sobre essa nova forma de pensar que a então “nova era” desencadeou.

Pois saiba que você está presenciando o próximo grande passo. A Indústria 4.0, proveniente da transformação digital, é capacitada com dispositivos que mudam a forma de comunicação — entre pessoas, entre máquinas e entre pessoas e máquinas. Consequentemente, a produção é digitalizada. Isso afeta profundamente o mercado que, com o surgimento das novas tecnologias, testemunha um aumento em produtividade e eficiência por meio de dados. São novos meios e maneiras de entregar produtos a clientes, de se relacionar com usuários e de lidar com a cadeia de valor.

Entender como o cliente interage com seus produtos é critério primordial, uma vez que se trata de um pilar básico para inovar. Essa inovação orientada e a gestão de conhecimento, regidas pela contínua integração, são atributos da era digital. Isso configura um novo arcabouço de pensamento: não é uma inovação de dentro para fora como era feito antes, mas sim uma inovação guiada pela relação do cliente com o produto. São insumos diretos do usuário. Quem melhor do que ele para contribuir, certo?

É por isso que o diferencial, neste momento, é criar um mecanismo de interação com os clientes para, enfim, aprender a solucionar problemas da forma mais eficiente possível. Essa nova maneira de pensar, proveniente do digital, pode garantir melhores resultados para todos.

(GE Reports Brasil)