Com o objetivo de mostrar o que existe no Brasil em investimentos direcionados para empresas nascentes de base tecnológica, envolvidas com atividades de inovação de risco mais elevado, a XII Conferência Anpei organizou o workshop “Investimentos Privados de Risco com Foco em Inovações”. As palestras foram apresentadas na tarde desta terça-feira (12/6) na XII Conferência, que se encerra hoje em Joinville (SC). Participaram do workshop Rodrigo Menezes, da Rede de Anjos, Reinaldo Coelho, gerente do fundo Criatec para a Região Sul do País, e Paulo Rezende, da Valora Investimentos. Rodrigo Menezes explicou que os investidores anjos são pessoas físicas, em geral executivos bem sucedidos. Os investimentos dos anjos, em média, ficam na casa de R$ 200 mil a R$ 600 mil por empresa e o capital é aportado exclusivamente para o desenvolvimento do negócio. Em troca, o anjo tem uma participação na empresa. Esse tipo de investidor procura firmas próximas de onde ele está porque esse tipo de investidor quer participar do cotidiano da empresa na condição de colaborador, e não de gestor. “Além de capital, o investidor anjo aporta conhecimento, experiência; ele traz seu networking, uma visão fora da caixa para contribuir de forma ativa no desenvolvimento do negócio”, afirmou. São exemplos de empresas que tiveram investidores anjo o Google, Intel, Apple, Facebook, e, no Brasil, Buscapé e Bematech. De acordo com Menezes, no Brasil, esse tipo de investidor tem buscado empresas nas áreas de biotecnologia, educação, energia, entretenimento, internet, saúde, tecnologia da informação e comunicação e produtos sustentáveis. Esses investidores costumam se unir em redes, como a Rede de Anjos. Menezes disse que 5.300 pessoas físicas já fizeram um aporte total de R$ 450 milhões em empresas no Brasil, mas o País tem 50 mil potenciais investidores anjos, com capacidade para aplicar R$ 5 bilhões nas empresas. Reinaldo Coelho abordou o seed capital ou capital semente. O Criatec é o fundo mais conhecido no Brasil nessa modalidade. Esse tipo de fundo investe em empresas embrionárias e em estágio mais avançado de desenvolvimento do que as companhias que recebem aportes de investidores anjos, mas ainda distantes do mercado. No caso do Criatec, o investimento foi feito em companhias que faturam entre zero e R$ 6 milhões. O Criatec não está fazendo novos investimentos, mas o BNDES estuda lançar uma segunda rodada de captação de recursos para formar o Criatec 2. Os R$ 100 milhões disponíveis para a primeira rodada de investimento do Criatec estão sendo empregados em 42 empresas no Brasil. “Normalmente encontramos recursos para a pesquisa de base, o problema é converte isso e ir para as etapas posteriores, mais próximas do mercado, ultrapassar o chamado Vale da Morte. Nessa fase, o principal obstáculo que se apresenta para as empresas é regulatório”, comentou. Segundo o executivo, o ambiente no Brasil para superar essa fase é mais difícil do que em outros países. Além disso, as pessoas que fazem pesquisas básicas têm, na média, um perfil pouco empreendedor, o marco regulatório é pouco desenvolvido e há pouco investimento para as startups. Contudo, há um movimento positivo de entrada de capital semente do exterior no Brasil, que pode gerar mais competição entre os fundos por bons projetos e alavancar essa modalidade de investimento. Paulo Rezende falou das modalidades venture capital e private equity, que investem em empresas cujas tecnologias estão mais próximas de chegar ao mercado. Esses fundos são administrados por gestores, que procuram aportar os recursos em empresas que tenham produtos ou serviços e que já mostrem bom potencial de mercado e vantagem competitiva, atuem em mercados de rápido crescimento, tenham um bom modelo de negócios e transparência em relação ao investidor. “O plano de negócios é o melhor instrumento para articular todos esses pontos, é uma ferramenta para o planejamento e acompanhamento da empresa no longo prazo, e para a captação de recursos no curto prazo”, aconselhou. Um dos pontos mais valorizados pelos gestores quando estudam investir é a equipe da empresa candidata. “Precisa ser uma empresa que tenha um time bem equilibrado em relação ao quadro de técnicos, administrativo, financeiro etc, que sejam sinceros sobre suas deficiências e orgulhosos sobre suas qualidades e saibam aonde querem chegar. Uma tecnologia não muito boa pode dar certo, se a empresa for formada por uma equipe dedicada, mas uma equipe ruim pode matar um bom projeto”, concluiu.