02/07/2018

Com o objetivo de debater sobre a interação entre as empresas e as instituições científicas e tecnológicas (ICTs) e o fomento à inovação, a Anpei reuniu importantes atores do ecossistema de inovação no último dia 28 de junho no auditório da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Representantes da própria Fapesp, da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) apresentaram projetos e dados sobre a inovação em prol da competitividade e do desenvolvimento para um público misto entre associados e não associados da Anpei.

A mesa de abertura contou com a participação dos coordenadores dos Comitês de Interação ICT-Empresa, Alessandro Rizzato, e Fomento à Inovação, Luis Frade, do coordenador adjunto do Plano Diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Estado de São Paulo, Horácio Forjaz, e com o presidente da Fapesp, José Goldemberg.

20180628_093045Na ocasião, Forjaz lançou uma pesquisa aos participantes da reunião e demais associados da Anpei. “Gostaríamos de saber a opinião das grandes empresas sobre os programas da Fapesp. As respostas serão subsídios importantes para aprimorarmos os serviços às empresas e, consequentemente, à sociedade”, explicou.

“Essa é uma ótima oportunidade para conhecermos melhor a Anpei e as estatísticas de inovação nas empresas”, acrescentou o Goldemberg.

Ainda durante a abertura, o coordenador do Comitê de Interação ICT-Empresa apresentou algumas inciativas realizadas pelo grupo, como a atualização do Mapa de Inovação, e o Broker de Inovação. E o coordenador do Comitê de Fomento à Inovação ressaltou a importância das reuniões conjuntas e da junção das sinergias.

Em seguida, a gerente executiva da Anpei, Marcela Flores, apresentou a Associação aos presentes, destacando a missão e seus principais programas e projetos.

Apoio à pesquisa para inovação tecnológica no Estado de São Paulo

20180628_100108De acordo com o professor Sérgio Queiroz, coordenador adjunto de pesquisa para inovação da Fapesp e do Plano Diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Estado de São Paulo, o dispêndio empresarial em P&D, como percentagem do PIB, do Estado de São Paulo, com 0,84%, é maior que o do Brasil, com 0,57%.

“Precisamos ampliar o gasto empresarial nessa área, pois o governamental já é muito próximo ao realizado em outros países. Esse é o nosso esforço na Fapesp”, explicou Queiroz, apresentando os programas da Fundação voltados à inovação tecnológica, como o PIPE (Pesquisa Inovativa na Pequena Empresa), que apoia projetos de pesquisa desenvolvidos em pequenas empresas (até 250 empregados), o PITE (Parceria para Inovação Tecnológica), que ampara projetos de pesquisa desenvolvidos em parceria entre instituições de pesquisa paulistas e empresas localizadas no Brasil e no exterior, e o Centro de Pesquisa em Engenharia, que fomenta programas de pesquisa voltados aos desafios de médio e longo prazos com alto impacto científico e tecnológico.

“O PIPE está apoiando um número crescente de projetos em automação, Big Data, computação em nuvem, digitalização, fotônica, impressão 3D, inteligência artificial, IoT, manufatura aditiva, realidade aumentada, e robótica”, destacou o professor.

Iniciativas do BNDES e o Apoio aos Projetos-piloto: Internet das Coisas

Os interessados em desenvolver projetos-pilotos em Internet das Coisas (IoT) com apoio do BNDES devem conferir o regulamento completo no site do Banco e submeter a proposta até o dia 31 de agosto.

Com o objetivo de selecionar projetos-pilotos com soluções tecnológicas nas áreas prioritárias de cidades, saúde e rural, o BNDES participará com recursos não reembolsáveis, que poderão chegar a 50% dos itens financiáveis.

O valor mínimo do apoio do Banco a cada projetos-piloto será de R$ 1 milhão.

De acordo Isabela Brod, 20180628_103728 (1)gerente de Inovação do BNDES, a execução dos pilotos deverá incluir a integração de tecnologias e arquiteturas disponíveis nas diferentes camadas tecnológicas de IoT (dispositivos, rede, suporte a aplicações e segurança) e avaliação técnica e econômica do impacto observado da IoT e da viabilidade do modelo de negócio das soluções.

“O nosso objetivo é medir o ganho potencial pelo uso da tecnologia e a viabilidade da solução de forma a contribuir e impulsionar sua difusão e massificação. Aspectos como segurança, privacidade e confiabilidade também serão observados”, explicou Isabela.

Programas Embrapii: Apoio a Projetos Empresariais 

O diretor de planejamento e gestão da Embrapii, José Luis Gordon, iniciou sua apresentação falando um pouco sobre instituições intermediárias (entre empresas e centros pesquisa) do mundo todo, o Fraunhofer, na Alemanha, e o Capult, no Reino Unido.

Assim, a Embrapii tem o objetivo de financiar projetos de inovação de demandas das empresas com centros de pesquisa (Unidades Embrapii) para ajudar o setor produtivo a ser mais competitivo.

20180628_110602 (1)“A Embrapii quer aumentar a inovação na indústria, ou seja, diminuir riscos e custos, com agilidade e flexibilidade na contratação e execução, e fluxo contínuo para contratação de projetos”, disse Gordon, ressaltando a praticidade e a desburocratização do processo, já que toda negociação, contração e execução ocorre entre as empresas e as Unidades Embrapii, que já dispõem dos recursos.

De acordo com ele, o financiamento é dividido entre três parte. A Embrapii aporta recursos não-reembolsáveis, a empresa aporta recursos financeiros, e a Unidade Embrapii recursos não financeiros e/ou financeiros.

Edital de Inovação para a Indústria

Com o objetivo de financiar o desenvolvimento de soluções inovadoras para a indústria brasileira, e novos produtos, processos ou serviços de caráter inovador, incremental ou radical, além de promover o aumento da produtividade e da competitividade industrial brasileira, o Senai, o Sebrae e o Sesi disponibilizarão R$ 55 milhões para o desenvolvimento de projetos de inovação, distribuídos em categorias e ciclos de avaliação em 2018.

20180628_112658 (1)Segundo o gerente adjunto de inovação e tecnologia do Senai, Fábio Pires, podem participar empresas industriais de qualquer porte ou startups de base tecnológica, com CNPJ ativo. O ciclo é contínuo, mas existem gates de avaliação.

A. Inovação Tecnológica para Grandes e Médias Empresas; (SENAI)

B. Inovação Tecnológica para Micro e Pequenas Empresas de Base Tecnológica; (SENAI + SEBRAE)

C. Empreendedorismo Industrial; (SENAI + SEBRAE)

D. Inovação para Segurança e Saúde no Trabalho – SST; (SESI)

E. Inovação setorial para SST; (SESI)

As linhas temáticas das categorias A e B envolvem fábricas, produtos e serviços inteligentes, bioeconomia e sustentabilidade, e materiais avançados.

“O objetivo da categoria de empreendedorismo industrial é conectar médias e grandes empresas ou investidores à startups de base tecnológica, MEI ou MPE, através do compartilhamento de risco financeiro e tecnológico, baseado no desenvolvimento conjunto de soluções inovadoras orientadas aos desafios industriais”, explicou Fábio Pires sobre a nova categoria.

Oportunidades de Fomento à Inovação para os Pequenos Negócios

20180628_114723 (1)A analista do Sebrae, Hulda Giesbrecht, apresentou cinco iniciativas do Serviço em prol da Inovação: os Agentes Locais de Inovação (ALI), o Sebraetec, o Edital Sebrae de Inovação, o Edital de Inovação para Indústria – que foi explicado durante a reunião pelo gerente adjunto de inovação e tecnologia do Senai – e projetos Embrapii.

De acordo com ela, o ALI possibilita que o pequeno negócio aumente a captura de valor, por meio da criação e da entrega de soluções inovadoras de maneira acelerada.

“Já o Sebraetec é um produto nacional do Sebrae que tem o objetivo de viabilizar aos pequenos negócios o acesso a serviços tecnológicos e de inovação, visando a melhoria de processos, produtos e serviços, bem como a introdução de inovações nas empresas e mercados”, explicou a analista do Sebrae.

Quanto ao contrato Sebrae – Embrapii, Hulda destacou a importância de se viabilizar o acesso aos pequenos negócios brasileiros ao modelo Embrapii de apoio a projetos de PD&I. “Nesse caso, os diferenciais são atuação em rede; integração de esforços, internalização de competências, desburocratização do processo e potencialização do investimento Sebrae”, apontou.

Encerramento

O encerramento da reunião contou a presença do diretor-presidente da Fapesp, Carlos Américo Pacheco, que reiterou a importância da pesquisa de opinião com as empresas sobre as iniciativas da Fundação em prol da inovação.

O diretor da Anpei, Ricardo Marques, também participou do encerramento da reunião e ressaltou a importância desse tipo de debate. “Estamos no caminho certo”.

O coordenador do Comitê de Interação ICT-Empresa, Alessandro Rizzato, convidou a todos a participar da Conferência Anpei de Inovação, que acontece de 15 a 17 de agosto em Gramado – RS.

E Luis Frade, coordenador do Comitê de Fomento à Inovação, institucionalizou a Roseli, da Embraer, como a nova vice-coordenadora do grupo, e pediu à Isabela Dias, ex vice-coordenadora do Comitê, para se apresentar aos participantes da reunião como diretora eleita da Anpei.

“Pretendo contribuir, na diretoria da Anpei, com minha experiência em relações institucionais”, finalizou Isabela.

Saiba mais sobre os Comitês de Interação ICT-Empresa e Fomento à Inovação da Anpei.

20180628_094426