O segundo encontro do Grupo de Trabalho Indústria Startup foi recebido em Belo Horizonte, Minas Gerais, no espaço colaborativo Mining Hub. A reunião foi mediada por Rogério Rabelo, Head de Inovação da Nexa Resources e coordenador da pauta, e dispôs de uma apresentação sobre os objetivos e mecânica do Hub pela Vale, além da apresentação sobre a Perspectiva de Agendas Governamentais para o Ecossistema Empreendedor Brasileiro pela ABDI, e dos modelos de financiamento da EMBRAPII.

 

Mining Hub: Inovação aberta entre as mineradoras

 

Geração de valor e pensamento disruptivo: esses são os principais objetivos do primeiro hub de inovação aberta para mineradoras, Mining Hub, apresentado por Eugênio Lysei da Vale. De uma iniciativa em conjunto da IBRAM, Ferrous e Vale, e com apoio do WeWork, o espaço surgiu com a proposta de reunir os diferentes atores do mercado. Empresas, startups, fornecedores e organizações governamentais envolvidos na cadeia produtiva da mineração têm a oportunidade de trabalharem juntos pela primeira vez, em um ambiente de compartilhamento e cooperação.

 

Ocupando o mesmo espaço, o principal desafio do projeto é mudar o mindset dos atores envolvidos, desestimulando a competitividade e encorajando a cooperação e compartilhamento de informações em busca de soluções, implementando a cultura de inovação aberta. Através desse posicionamento disruptivo, o setor busca, trabalhando em conjunto, explorar com mais propriedade as premissas da transformação digital, ao lado das startups.

 

Através de cinco eixos temáticos que refletem os principais desafios para a área de mineração (tailing and residue management, water management, operational safety, alternative energy sources, operational efficiency), foram estabelecidas algumas iniciativas, em que as mineradoras investem de acordo com seus principais interesses. Assim, as startups ingressam para a geração de soluções, e caso a iniciativa obtenha sucesso, todos se beneficiam.

 

O uso da infraestrutura é gratuito para startups, que recebem a possibilidade de investimento, coaching e mentoria de profissionais renomados do mercado, acesso ao network do WeWork, desenvolvimento da metodologia startup e implementação e monitoramento de provas de conceito do mundo real. Eugênio ressaltou que o Mining Hub não pretende ser uma incubadora de startups, e que portanto não irá comprá-las, mas sim estimular o seu crescimento, e dessa forma, o desenvolvimento social.

 

Perspectiva de Agendas Governamentais para o Ecossistema Empreendedor Brasileiro

 

Rodrigo Rodrigues, Head de Economia Digital da ABDI, apresentou as ações da agência no ecossistema de inovação, que tem como principal objetivo promover o desenvolvimento das industrial brasileiro. Para isso, a agência busca uma interlocução com diversos atores, articulando-se e ganhando reconhecimento no mercado.

 

Trazendo o conceito de MVP para as políticas públicas, a estratégia é trazer o poder em escala, e posteriormente trabalhar com o mercado que irá absorver o que tem possibilidade de gerar impacto. Rodrigo também explicou que a ABDI busca a economia do conhecimento, fazendo conexões internacionais a fim de adotar boas práticas e ganhar velocidade na conceituação de políticas públicas e na implementação de novos projetos.

 

O mantra da agência é a digitalização do setor produtivo como um todo, e pelo caráter desafiador do objetivo, Rodrigo ressalta a importância de entender o que já está sendo feito e quais são os problemas que devem ser atacados, e para isso a agência se aproxima das empresas que estão pensando na transformação digital e com as startups, buscando difusão de conhecimento e melhores práticas. Alguns cases da agência foram trazidos pelo executivo, como a elaboração do laboratório de varejo, uniformes militares inteligentes, cidades inteligentes, cyber range, entre outros.

 

Rodrigo defende que a startup é um meio, e não um fim, e que o trabalho deve ser pautado sempre na colaboração. Também buscando aproximação com a inovação aberta, a ABDI acredita na disseminação dessa cultura por meio da conexão com as startups para a aceleração de processos e soluções.

 

Por fim, foram apresentadas as oportunidades para a mineração, através dos seguintes programas:

  • Startup Indústria: está em seu segundo ciclo, e em breve entrará em seu terceiro, que irá focar no compartilhamento estruturado de informações para empresas interessadas em projetos com startups israelenses

 

  • Conexão Startup Brasil: Adesão das empresas interessadas em projetos com maior necessidade de P&D de base (TRL < 5) e conexão com startups em early stage.

 

Oportunidades de financiamento – EMBRAPII

 

Para finalizar o encontro, Fábio Stallivieri, Assessor da Diretoria da EMBRAPII, apresentou os modelos de financiamento da EMBRAPII, que apesar de ser uma instituição privada, é definida como uma organização social com contrato de gestão do MCTIC, MEC e MS.

Com a missão de promover projetos de inovação de demanda de empresas, a EMBRAPII utiliza de suas unidades certificadas para ajudar o setor produtivo a ser mais competitivo através de suas oportunidades de financiamento. O Assessor explicou que o recurso EMBRAPII é depositado em suas unidades, que devem procurar um match com as demandas de empresas para o desenvolvimento de projetos,

Dessa forma, a EMBRAPII busca aumentar a inovação na indústria, diminuindo o custo e o risco para as empresas, e atendendo às suas principais demandas. Por consequência, a colaboração entre ICTs (unidades credenciadas) e empresas também são fomentadas.

Assim, o modelo de financiamento EMBRAPII é tripartite, e aporta também recursos não reembolsáveis, além de outros recursos financeiros. Para que uma empresa possa aderir ao financiamento, basta procurar uma unidade credenciada EMBRAPII, já que não existem editais ou a necessidade de aprovação pela EMBRAPII. Esse modelo visa o fluxo contínuo de contratação de projetos, agilizando a contratação e execução de projetos, já que as duas partes se relacionam diretamente.

Fábio ressaltou que o  modelo EMBRAPII também é acessível à startups, além das empresas com base tecnológica, e também apresentou a ação específica da instituição para parceria de startups com PMEs, realizada por meio de contrato com o SEBRAE. A iniciativa Projetos de Encadeamento Tecnológico, oferece fomento adicional de até 80% do valor da startup nos projetos EMBRAPII (limite do aporte adicional R$ 300.000,00).

Para entender mais sobre a complexidade dos modelos e resultados EMBRAPII, assim como as ações da ABDI, confira as apresentações.
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