19/01/2018

No último dia 9 de janeiro, a Consumer Technology Association (CTA) divulgou o 2018 CTA International Innovation Scorecard – ranking mundial de ações de países com intuito de impulsionar a inovação. De 38 posições, o Brasil se encontra na 32ª, sendo reprovado em grande parte dos itens avaliados e sem, ao menos, uma nota A.

Os itens analisados pelo ranking, apresentado no CES 2018, em Las Vegas, nos Estados Unidos, foram diversidade, liberdade de inovação, capital humano, banda larga, ambiente tributário, investimentos em P&D, atividade empreendedora, mercado de compartilhamento de transporte, carros autônomos e meio ambiente, mercado de compartilhamento de imóveis e mercado de drones.

As notas do Brasil variam de B a F (a mais baixa possível), em ambiente tributário e adoção de políticas públicas de incentivo à inovação. A mais alta (B) foi dada ao compartilhamento de transporte e imóveis. O país também obteve baixa pontuação em investimentos em pesquisa e desenvolvimento e na geração de capital humano.

Em entrevista à Rádio Educativa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o presidente da Anpei, Humberto Pereira, falou sobre o ranking, explicou os pontos nos quais o Brasil deixou a desejar e deu algumas dicas sobre o que é preciso para melhorar a classificação.

“No próprio ranking, nós podemos ver as questões nas quais o Brasil se coloca pior, que são problemas de impostos e atividade empresarial”, comentou o presidente da Anpei. “Acho que eles retratam bem a nossa realidade. Esses são os dois primeiros aspectos que deveríamos trabalhar para promovermos mais a inovação no país”, completou.

Humberto também explicou que o sistema tributário influencia diretamente na vontade de empreender, e, para que isso seja reparado, “há uma série de questões a serem levantadas, como um sistema tributário mais simples, que possibilite o empreendimento de forma menos complexa e burocrática, e que aposte mais na confiança e na possibilidade de empreender”.

Por fim, em relação a falta de incentivo a P&D, o presidente da Anpei aponta que “temos uma dificuldade em direcionar bem o investimento público em pesquisa e desenvolvimento para obtenção de resultados práticos para gerar prosperidade”. Visto isso, Humberto ainda ressalta que “falta foco, pois o dinheiro público tem um sistema de gestão muito complexo, tendo dificuldade de chegar ao pesquisador ou à empresa que pretende investir, além de não ter uma orientação estratégica”.

O Scorecard também mede os países através da diversidade, da proporção de trabalhadores entre homens e mulheres, dos imigrantes como parte da população nacional e da liberdade de expressão e pensamento. E, para as próximas edições, o CTA pretende incluir mais países ao ranking.