21/02/2018

No último dia 6 de fevereiro aconteceu a primeira reunião do ano do Comitê de Gestão da PI na sede do IPT, em São Paulo. O encontro apresentou resultados de trabalhos iniciados no ano passado, com foco no debate com o INPI acerca da simplificação de exames de pedidos de patentes como solução temporária ao backlog.

O comitê recebeu também o pesquisador, Matheus André Campregher, que atua na WEG e trouxe um case sobre os investimentos em P&D da empresa no Brasil e os desafios enfrentados pela companhia para realizar o registro das inovações.

A abertura do evento ficou por conta da coordenadora do comitê, Eneida Berbare, e da gerente executiva da Anpei, Marcela Flores, que apresentou alguns resultados da última Conferência Anpei de Inovação e trouxe informações sobre o próximo evento que acontecerá em Gramado, no Rio Grande do Sul.

“A expectativa é que a Conferência deste ano seja a maior de todas. Só no ano passado tivemos um público de 1.592 pessoas, sendo 52% delas de empresas, 22% de agências do governo, 17% de ICTs e 9% de outras instituições”, contou Marcela.

Eneida começou a reunião falando sobre os programas que estão sendo estudados e implementados pelo INPI, como por exemplo:

  • Resolução de emenda após o requerimento de exame (flexibilização um pouco mais para emendas no pedido)
  • Piloto do Pré Exame – são 800 casos (20 por cada Divisão) – sempre baseados nos casos que já tiveram algum parecer emitido no exterior – emendas (adequação ao caso examinado)

Quanto ao planejamento para 2018, foi iniciada a definição dos assuntos que serão discutidos neste ano. Foram sugeridos novos assuntos, como marketing de emboscada para ensinar empresas a se beneficiarem com a Copa sem infringir as regras da FIFA, marketing in law para ensinar a agregar valor ao portfólio, e temas como valoração e gestão de portfólio de PI.

Reunião INPI 2017

Em dezembro de 2017 foi realizada uma reunião na sede do INPI, em que o presidente do INPI, Luiz Otávio Pimentel apesentou resultados do instituto, que foram bastante positivos. Das 10 metas operacionais ligadas às atividades de exame de pedidos de propriedade industrial, nove foram superadas.

Para este ano, o presidente do INPI destacou a importância de resolver o backlog e preparar o instituto para a adesão ao Protocolo de Madri.

Houve ainda apresentações do advogado especializado em direito da PI, José Carlos Vaz e Dias, sobre o grupo de trabalho que atua para análise de projetos-piloto sobre Patentes MPE e Patentes ICTs. Dias enfatizou que é necessário uma maior divulgação dos programas no meio empresarial.

GT Cartilha Prioritários e Desenho Industrial

A reunião com o INPI em dezembro também levantou a possibilidade da criação de outro GT, o da Cartilha de Prioritários. A ideia é criar um documento de fácil acesso e divulgação, assim como foi feito com o Guia da Lei do Bem.

Na ocasião, o Diretor de Patentes do INPI, Júlio César Moreira, comentou que uma das ações previstas para 2018 é a extinção dos pedidos em papel e a desconcentração de exame, com mais pesquisadores para análise nas unidades regionais.

Outra iniciativa, levantada pelo coordenador-geral de Disseminação da Inovação, Felipe Melo, foi a remodelagem das linhas de pesquisa da Academia do INPI, que estão voltadas para projetos de melhoria das atividades do instituto.

Já o GT de Desenho Industrial tem como propósito mobilizar ações com o INPI para simplificar e flexibilizar os processos para empresas que tentam patentear desenhos industriais. A proposta é levantar os problemas práticos que as empresas estão enfrentando e tentar consolidar da melhor maneira. Mariana Mostardeiro, do escritório de advocacia Dannermann Siemsen, foi quem fez a apresentação das atividades e do andamento do manual de Desenho Industrial que está em fase de finalização, durante a reunião de dezembro para o INPI.

Case WEG Equipamentos Elétricos S.A

O pesquisador Matheus André Campregher, que atua na área de P&D da WEG no Brasil, apresentou o processo de inovação e investimento da empresa, entre eles o portal de inovação, o processo de entrada e saída de ideias, como funciona a tomada de ação sobre os produtos inovadores e seu fluxo de desenvolvimento.

A empresa conta com cinco grupos integrados de patentes. Cada um deles faz a prospecção de patentes e tecnologias, a elaboração e revisão dos textos, análise de patenteabilidade e valoração.

O fluxo de desenvolvimento de produtos da empresa é bastante estruturado, ou seja, começa na geração de ideias, passa pela avaliação, seleção e priorização, projeto conceitual, projeto preliminar, projeto detalhado, fabricação, lançamento e, por fim, pela resposta do mercado.

Só em 2016 foram investidos R$ 247 milhões em P&D e, com isso, o índice de inovação tecnológica na empresa chegou a 55,6%. O grupo no Brasil atingiu também o número máximo de patentes concedidas ou pendentes em 2016, foram 144, uma alta de mais de 300% com relação há 10 anos atrás, em 2006.

Pesquisa UFSC

Para finalizar, o pesquisador, trouxe para os convidados um resumo sobre sua pesquisa de mestrado na UFSC, que discute sobre a relevância da PI no relacionamento das grandes empresas com as startups.

“De fato as startups estão crescendo e estão cada vez mais valorizadas.  A partir de 2014 as startups avaliadas em mais de 1 bilhão de dólares cresceram de maneira estratosférica. Esse crescimento gera visibilidade no mercado. Em dezembro do ano passado, 168 empresas foram avaliadas em mais de 1 bilhão de dólares e isso chama atenção das grandes empresas, que querem crescer buscando a inovação que as startups trazem. A relevância da PI nessa estratégia – inovação aberta – é fundamental. Elas têm um perfil sem burocracia”, explicou Campregher

A apresentação gerou uma discussão entre os participantes sobre o desenvolvimento das startups, relação da PI com as startups e boas práticas que as empresas podem aderir para ajudar as empresas nascentes a se desenvolver para inovar. Falou-se também sobre o apoio das universidades, como USP, Unicamp e outras, no nascimento dessas startups.

Para complementar sua pesquisa, Campregher pediu aos presentes que respondessem uma pesquisa sobre “Qual a relevância da propriedade intelectual na estratégia das grandes empresas em seus relacionamentos com startups?”.

O resultado do questionário será usado como base para defender sua tese. O questionário deve ser respondido por empresas de grande porte. Para saber mais e contribuir entre em contato através do e-mail matheusc@weg.net.

Apresentação do IPT

A responsável pelas questões administrativas do IPT, Katia Yee, fez uma breve apresentação sobre o instituto – veiculado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo.

A instituição atua de forma nacional e oferece serviços tecnológicos, colaborando para a criação de processos e produtos inovadores há mais de cem anos.

O IPT relaciona-se com diversos players e a multiplicidade dos serviços oferecidos está organizada em nove Centros Tecnológicos e três Núcleos, que reúnem 39 laboratórios e seções especializadas.

Katia falou ainda sobre as parcerias que são realizadas entre o Institutos e diversas empresas, como, por exemplo, Embraer, Natura, Petrobras.

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