05/05/2017

Com a percepção, cada vez maior, das grandes empresas de que é necessário inovar para manter-se competitiva, além de criar iniciativas eficazes e integradas de inovação aberta, a Anpei, por meio de seu programa de educação continuada, o Educanpei, promove no dia 15 de maio o workshop sobre corporate venture voltado para executivos e especialistas em tecnologia e inovação.

“O grande diferencial deste treinamento é demonstrar que iniciativas de corporate venture conseguem se pagar e trazer retornos para a organização já no primeiro ano”, explica Marcelo Nakagawa, professor de empreendedorismo e inovação do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), que ministrará o workshop pelo Educanpei.

Para ele, é fundamental que esses executivos aprendam com os erros do passado e saibam aproveitar as oportunidades de corporate venture não só para garantir resultados financeiros atrativos, mas também para tornar sua organização ainda mais inovadora e integrada aos ecossistemas brasileiro e mundial de empreendedorismo e inovação

Como as iniciativas de corporate venture devem ser planejadas, gerenciadas e executadas de forma integrada com a estratégia da organização, as metas dos departamentos e dos colaboradores e ao ecossistema de empreendedorismo e inovação do Brasil e do mundo, o workshop tem o objetivo de demonstrar que organizações de qualquer setor podem criar iniciativas de corporte venture que façam sentido para seus gestores e colaboradores.

“No dia 15 de maio, também destacaremos a importância de parcerias não só de empresas com startups, mas também de empresas com outras empresas, investidores, universidades, fornecedores e parceiros”, acrescenta Nakagawa.

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Corporate venture

A 3ª onda de corporate venture no Brasil

Utilizada para caracterizar o investimento de empresas, geralmente de grande porte, em negócios nascentes, a expressão corporate venture se traduz em um segmento da inovação corporativa que vem crescendo consideravelmente, já que, diferentemente dos modelos de capital de risco tradicionais, nos quais investidores financiam o surgimento e o crescimento de novos negócios, desde que tenham alto potencial de crescimento, o corporate venture tem um grande interesse estratégico em ganhar vantagem competitiva, gerar inovações e colocá-las rapidamente no mercado.

Assim, as corporações investem mais do que capital. Elas oferecem profissionais qualificados, conhecimento do mercado, estrutura operacional, canais de distribuição, marca consolidada e tecnologia. Em resumo, o corporate venture une a agilidade da pequena empresa com a estrutura da grande.

De acordo com Nakagawa, o momento pelo qual o Brasil está passando atualmente é chamado de terceira onda de corporate venture. “A primeira ocorreu na virada do milênio, com destaque para Votorantim Novos Negócios, Eccelera, Intel Capital e Promon Ventures. O estouro da economia ‘ponto.com’ estragou um pouco a perspectiva de novas rodadas e saídas, principalmente por meio de IPOs [Initial Public Offering, ou seja, abertura de capital] tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil”, explica o professor.

A segunda onda ocorreu na virada da década de 2000, com a chegada de corporate ventures internacionais, como Qualcomm Ventures e Naspers, e nacionais, como e.Bricks, do Grupo RBS.

“O que vemos agora é uma terceira onda, que vem sendo marcada pelos impactos vividos e esperados da Quarta Revolução Industrial. Isto é observado em todo o mundo e também no Brasil. Atualmente, destacam-se as novas iniciativas de empresas como Bradesco, Einstein e Cimcorp”, aponta Nakagawa, que também destaca o maior entendimento do termo corporate venture pelas organizações. “No passado, a expressão era entendida como uma iniciativa corporativa para investimento de startups desenvolvidas externamente ou, em alguns casos, também internamente. Agora, corporate venture refere-se a qualquer iniciativa de parcerias com startups e grandes empresas”.

Principais erros

Segundo Nakagawa, os principais acertos das empresas que já estão desenvolvendo ou têm interesse em iniciativas de corporate venture estão associados à percepção do papel crítico da inovação aberta, ou seja, as inovações vindas de fora da organização, principalmente das startups, também devem ser consideradas e têm bastante importância nessa parceria.

“Mas o número de erros supera o de acertos. Existem diversos erros, alguns muito básicos, que impactam no sucesso da iniciativa de corporate venture”, acrescentou o professor, listando os principais deslizes.

  • Ausência de definição do que é inovação para a corporação. “Como não há uma definição, não há indicador ou metas de inovação, e isso impacta na integração da área inovação com a estratégia corporativa”.
  • Desconsiderar os colaboradores no processo de inovação. “Muitos profissionais se sentem colocados em segundo plano quando uma startup ‘inovadora’ é trazida à bordo pela organização”.
  • Falta de entendimento sobre o ambiente do outro. “Às vezes, neste contexto, pode existir um certo preconceito por parte dos executivos de grandes empresas em relação aos empreendedores, alegando seu porte, marca e conhecimento de mercado. Por outro lado, alguns empreendedores também podem se valer da característica inovadora para desmerecer grandes empresas. E isso não pode acontecer em nenhuma instância”.
  • Esperar que a grande inovação disruptiva venha da iniciativa de corporate venture. “Na verdade, quando bem planejada e integrada, a iniciativa de corporate venture se paga já no primeiro ano de operação por meio de inovações incrementais. Conseguir identificar uma startup com inovação radical ou disruptiva e integrá-la à estratégia e à operação da grande empresa é uma ação complicada, e esperar apenas esse resultado da parceria é um grande erro”.

Saiba mais sobre o workshop de corporate ventures

Com carga horária de 8 horas, o conteúdo será dividido em quatro etapas:

Contextualização

  • Definindo os novos e complexos desafios de sua organização;
  • Mapeando o estágio de maturidade de inovação na empresa;
  • Acelerando a capacidade inovativa pela integração de iniciativas de inovação fechada e aberta

Estruturação

  • Lições aprendidas: onde e por que as organizações estão errando feio em suas iniciativas de corporate venture?
  • Integrando os aspectos estratégicos, políticos, operacionais, humanos e do ecossistema de inovação em iniciativas de corporate venture;
  • Definindo os elementos que integram uma iniciativa de corporate venture que funciona para a sua organização;
  • Planejando uma iniciativa de corporate venture que traga resultados no mesmo ano fiscal.

Implementação e Gestão 

  • (Re) planejando a iniciativa de corporate venture de sua empresa;
  • Validando o plano e definindo os próximos passos.

Atividades, exercícios e case

  • Palestra com gestor de corporate venture: acertos e (muitos) erros;
  • Discussão de caso de fracasso de corporate venture;
  • Workshop: (re) planejando sua iniciativa de corporate venture;
  • Banca de avaliação de trabalhos com Cássio Spina (Altivia e Anjos do Brasil) e Rodrigo Menezes (Derraik Menezes).

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15 de maio de 2017, na Anpei, em São Paulo

 

Marcelo NakagawaConheça Marcelo Nakagawa

Professor de empreendedorismo e inovação do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), da Escola de Negócios (FIA) e da Fundação Vanzolini, Marcelo Nakagawa também é membro do Conselho da Artemísia Negócios Sociais e da Anjos do Brasil, além de autor de livros sobre empreendedorismo e inovação.

Diretor de empreendedorismo da Faculdade de Informática e Administração Paulista (FIAP), também é coordenador adjunto da Fapesp nos programas de inovação, colunista da revista Pequenas Empresas, Grandes Negócios e do Estadão PME, e colaborador da Exame PME.

Marcelo é consultor de empreendedorismo do SENAC-SP e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), e de inovação de empresas como Bradesco (InovaBRA), Kimberly-Clark e Cyrela Commercial Properties (CCP).

É doutor em engenharia de produção (Poli-USP), mestre em administração e planejamento (PUC-SP) e graduado em administração de empresas (FEA-USP). Foi um dos primeiros mentores da Endeavor Brasil, diretor de pesquisa da Naspers/MIH, diretor de inovação do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), chefe da área de pesquisa da Eccelera Brasil e pesquisador da A.T. Kearney.

Contato e mais informações: www.linkedin.com/in/marcelonakagawa